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18 de setembro de 2010
As aventuras do Batista em Pindaí
Gênero: Literatura de Cordel - Autor: Gildázio Vieira
Foi num dia de sábado
Fui com ele em Pindaí
Lá a feira era boa
Prá comprar fumo e pequi
E também olhar as moças
Pois são bonitas ali
Chegamos de manhãzinha
Tomamos nosso café
Fizemos a nossa compra
Na banca do seu Mané
E fomos ver as meninas
Que moram no cabaré
Quando foi bem à tarde
Na hora de retornar
Passamos perto da feira
Ainda muita gente lá
E um sujeito com uma faca
A todo o mundo insultar
Era um cabra corpulento
E tinha a cara amassada
Dava pulos de dois metros
Com sua faca afiada
Xingava a mãe de todos
E ninguém dizia nada
Batista me disse: vamos indo
Precisamos nos apressar
Porque moramos longe
E chega de passear
Quanto a esse indivíduo
É melhor deixar prá lá
Quando passamos por perto
(Eu um pouco amedrontado)
Porque aos dezesseis anos
Eu era um pouco encabulado
E o cara gritou bem alto:
“Lá vai” um corno e um viado
O Batista olhou-o e sorriu
E disse, ta enganado
Ele acaba de vir da zona
E eu não sou casado
Viado e corno é você
Filho da puta e safado
E foi um corre-corre
De quem estava no lugar
A mulherada gritava
Me acuda Deus Jeová
E eu disse a todos
Vão ver a cobra fumar
Quem teve coragem ficou
Para ver a confusão
O Batista deu-lhe um soco
E a faca caiu no chão
Aí a porrada comeu
Sem ter dó nem compaixão
O valentão desarmado
Pedia por piedade
Que o deixasse ir embora
Ia deixar a cidade
Batista disse, da missa
Você não viu a metade
Pegou a sua faca
E cortou o cinturão
A calça foi arreada
Ficando bem rente ao chão
Com os balagandans de fora
Pois estava sem calção
E foi mais uma correria
Mocinhas a desmaiar
Perguntavam que é aquilo?
Que está sempre a balançar?
Umas ja mais sabidinhas
Iam as outras explicar
Eu tinha comprado uma corda
Bem fina e bem trançada
Que eu usaria mais tarde
Para amarrar uma jangada
Mas o Batista gritou-me
Me dê sua corda emprestada
Eu pensei, vai amarrá-lo
E entregar ao delegado
E pela primeira vez
Vão ter um preso pelado
Mas ele o pendurou pelo saco
Numa árvore que tinha ao lado
A cena foi engraçada
Mas um tanto comovente
Tinha alguns que comentavam
É demais prá um vivente
Ser pendurado pelo saco
Diante de tanta gente
Deixamos ali o valente
Esperando ser socorrido
Pegamos o caminho de volta
Comentando o ocorrido
E eu pensava na minha corda
E no que tinha servido
Passados alguns dias
Chegou ao nosso povoado
Um senhor muito distinto
Com uma carta do delegado
Naquele dia ausente
Por motivos explicados
Nessa carta agradecia
Pelos serviços prestados
Pois o cara era perigoso
Pela polícia caçado
Autor de vários crimes
Mas enfim, aprisionado
No PS ele dizia
Que estava desolado
O saco não agüentou
Desgarrou-se do coitado
Mas estava em tratamento
Mas será sempre capado
E quanto a minha cordinha
Nem uma palavra citou
Portanto dela até hoje
Eu não sei que fim levou
Mas quase não me fez falta
Pois a lagoa secou
12 de agosto de 2010
A Aventura do Batista num baile
De Gildazio Vieira
Um certo dia num baile
Era grande a animação
Vavá tocava a sanfona
Batista no violão
Valin no cavaquinho
Miúdo no percussão
Lindolfo batia o dado
Uns ganhavam,outros não
Deca no seu boteco
Para vender o pingão
Eu de lá não saía
Sempre com um copo na mão
Miguelzinho escondeu no mato
Uma garrafa de “coentro”
Quando fomos lá beber
Que descontentamento
Tinham bebido nossa pinga
E ainda mijaram dentro
Em outro canto da sala
Era grande a gritaria
Porque o jogo de truco
A laço frouxo corria
Vale seis ladrão de tento!
E mais barulho fazia
Laurindo bom de bola
Combinava um desafio
Com o time do Alegre
Prá ser na Boca do rio
O time do Mato Grosso
Perdeu, chorou e sumiu
O rela bucho seguia
Sem nenhuma alteração
Mas de repente um rapaz
Fez parar com a função
Porque uma moça o deixou
Bem no meio do salão
O cara muito agitado
Com muita raiva falava
Pôs a moça prá sentar
Dizendo que ela não dançava
Que isso era desaforo
Portanto, não aceitava
Perguntaram-lhe o motivo
Ela tentou se explicar
Dizendo que o rapaz
Era indecente e vulgar
Porque dançava de um jeito
Que não podia falar
Batista disse,menina
Venha comigo dançar
Ninguém manda em ninguém
Não é ele quem vai mandar
Se é incoveniente
Que procure o seu lugar
Mas o rapaz ofendido
Isso não levou em conta
E gritou “pro” nosso herói
A minha fica desconta
Batista respondeu, se puxar
Nela vou mijar na ponta
O cara puxou a faca
Que no alto clareou
E começou um corre-corre
E pouca gente ficou
Prá asistir a mijada
Que por pouco não falhou
E foi ai que começou
Um grande pega prá capar
O cara com a faca molhada
Quis no Batista enxugar
Alguém soprou o lampião
Pra mais difícil ficar
Mas logo tudo acabou
O sujeito foi vencido
Procurava sua eguinha
Que tinha desaparecido
E foi a pé prá sua casa
Lamentando o acontecido
Mas faltava muita gente
Que havia se espalhado
Na hora do arranca-rabo
Prá não ver o punhal mijado
Encontrei meu irmão Gilberto
Na unha-de-gato enganchado
8 de julho de 2010
Crônica: As aventuras do Batista (Literatura de cordel)
As Aventuras Do Batista Em São Paulo
Gildázio Vieira
Um dia o Batista falou:
Chega de só trabalhar
Eu vou fazer uma viagem
Outros ares respirar
Pretendo ir a São Paulo
Tenho amigos por lá
Mas como ele sabia
Que em Sampa é perigoso
É ladrão trombando em ladrão
Cada um mais perigoso
Pensou em uma astúcia
Pois era astucioso
Pegou folhas de jornal
E com elas fez “dinheiro”
Amarrou mais de trezentas
Fez um pacote maneiro
“Se pensam que vão me enganar
“Engano eles primeiro”
Esse pacote de falsas
Em um lenço amarrou
E num dos bolsos da calça
Ele ali as colocou
De longe via-se o volume
De tão grande que ficou
O dinheiro de verdade
Pôs no bolso do calção
Porque ali é seguro
Contra ataques de ladrão
E também nesse lugar
Ninguem vai meter a mão
Chegando na rodoviária
Por um ladrão foi notado
Que logo se aproximou
Dizendo muito educado:
Eu aqui sou segurança
Prá pessoas de outro Estado
E foi dizendo ainda mais
É preciso ter precaução
Pois vejo que leva dinheiro
E aqui tem muito ladrão
Mas o senhor estando comigo
Eles não atreverão
Pois sou muito conhecido
Os ladrões ja me conhecem
E sabem que “sou da lei”
E a ninguem aborrecem
E se um se atrever
Terá o lugar que merece
Batista disse, que bom
Chegou em boa ocasião
Pois trago muito dinheiro
Prá comprar um caminhão
E digo sinceramente
Tenho medo de ladrão
O ladrão disse, amigo
Não precisa se amedontrar
Me dê o seu dinheiro
Eu tenho onde o guardar
Aqui na minha pasta
Que é um bom lugar
O Batista lhe entregou
O pacote de jornal
E foram procurar um taxi
O ladrão muito cordial
Oferecendo cigarro
Bebidas e coisa e tal
Passando frente a uma loja
O Batista lhe disse então
Preciso comprar um presente
Prá filha do meu irmão
Ela é minha afilhada
E a tenho no coração
E tornou a falar
Com o ladrão sorridente
Que não tinha mais dinheiro
Para comprar o presente
E abrir o pacote ali
Não era conveniente
O gatuno mais que depressa
Do seu bolso retirou
Um bom pacote de notas
E ao Batista entregou
Dizendo: depois se acerta
“Não esquenta”, por favor,
O Batista entrou na loja
E um pouco se demorou
Olhou um monte de coisas
E claro, nada comprou
E olhando pela vidraça
O bandido não avistou
Saiu depressa da loja
Perguntou a um policial
Onde tomaria um taxi
A informação foi legal
E se mandou para a Penha
No carro lendo jornal
Com o dinheiro do bandido
Ele pagou a corrida
E ainda deu boa gorja
Pro chaufer na despedida
E ainda sobrou grana
Prá pagar muita bebida
O Batista ficou pensando
Do bandido a decepção
Quando abrisse o pacote
Ia ler a inscrição :
“Te peguei malandro otário
Vá mudar de profissão”
Lá em São Paulo o Batista
Se danou a passear
Foi até o Ipiranga
O “GRITO” foi dado lá
D.Pedro muito esperto
Escolheu bem o lugar
No museu do Ipiranga
Viu coisas interessantes
Viu o lenço do D.Pedro
E canhões ex-fumaçantes
Viu a calcinha da Princesa
Pendurada num barbante
Também foi ao Morumbí
Ver o nosso Coringão
Que perdeu para o Palmeiras
Bem naquela ocasião
Tudo culpa do juiz
Incopetente e ladrão
Na Avenida Paulista
Ficou maravilhado
Quanta riqueza e pujança
Num País tão assolado
Mas, o Coração do Brasil
Tem o seu significado
Lá na rua das palmeiras
Foi na Rádio Nacional
Ver o primo Edgard de Souza
Que lhe foi muito cordial
Depois foi ver o Zé Bétio
Lá na rádio capital
Mas na Praça da República
Teve de ficar esperto
É lugar de travestís
E trombadinhas incorretos
Viu o Edifício Itália
Que situa ali bem perto
Na praça da República
Deixou ali as amarguras
Que linda praça, meu Deus!
Que estranhas criaturas
E na Praça Ramos o Teatro
E sua linda arquitetura
Seguiu então seu caminho
Pelo viaduto do Chá
Entrou na Rua Direita
(outra mais torta não há)
Enfim a Praça da Sé
Pois precisava rezar
Entrou na grande igreja
Fez a sua oração
Pediu paz para o mundo
E chuva para o sertão
Mas, ao sair nas escadarias
Deu de cara com um ladrão
O Batista se trajava
Com chapéu de boiadeiro
As pessoas viam nele
Homem de muito dinheiro
Foi aí que o ladrão
Quis dar o golpe certeiro
O malandro disse, amigo
Me escuta por favor
Estou na rua a negócio
Sou um grande corretor
Se o senhor quiser eu te vendo
A estação do metrô
Batista disse, meu caro
Coisa mais linda não há
Eu estava agora mesmo
Sua beleza admirar
Dependendo das condições
A estação vou comprar
O gatuno disse então
Faço em dois pagamentos
O primeiro é agora
De um milhão e quinhentos
O outro de igual valor
Na hora dos documentos
Dinheiro não é problema
Disse ele de boa fé
É só ligar para o banco
O gerente manda um chaufer
Com uma maleta repleta
Da quantia que eu quiser
Mas o que eu quero saber
Isso muito me convém
E sem o que eu vou dizer
Nenhum negócio não tem
Quero saber se a sua mulher
Entra no rolo também
O bandido não esperava
E muito zangado ficou
E recebeu uma “pernada”
Pelas escadas rolou
Vá vender sua estação
Pro trouxa do seu avô
E tornou a entrar na igreja
O padre foi procurar
Porque não achava correto
Frente à igreja brigar
Senhor vigário, bom dia
Vim aqui me confessar
O Padre disse meu filho
Confessar é a minha missão
Mas aqui tem uma tabela
Cada pecado um barão
E se tiver mais de mil
Vai passar de um milhão
O Batista falou: danou-se!
De graça nem um sermão?
Esta cidade é de louco
Não vou ficar aqui não
Em cada esquina um viado
Em cada rua um ladrão
Mais de um mês em São Paulo
O Batista desfrutou
Andou por muitos lugares
Muito solado gastou
E voltou para o sertão
E suas façanhas contou
17 de maio de 2010
Crônica: As aventuras do Batista (Literatura de cordel) A Aventura do Batista num boteco
Gildázio Vieira Santos
Num domingo ensolarado
Saiu para passear
Entrou em um boteco
Tinha muita gente por lá
Porque um forasteiro
Acabava de chegar
Como era de costume
A todos cumprimentou
Achou um lugar livre
Naquele canto sentou
Falava com alguém ao lado
Quando o forasteiro o chamou
E você que agora chega
Não se faça de rogado
Venha beber uma pinga
Tá paga, não é fiado
Comigo todo mundo bebe.
Batista disse, obrigado
Mas o tipo insistiu:
Acho que não entendeu
Eu disse para beber
O povo ai estremeceu
Por bem menos que isso
O pau um dia comeu
Nosso herói muito tranquilo
Da cadeira levantou
Chegou bem perto do cara
E com firmeza falou
Eu disse que não quero
É surdo ou ignorou?
Até que gosto de um gole
Mas ando meio enfadado
Ja faz mais de um mês
Que deixei o copo de lado
Por isso mais uma vez
Te digo muito obrigado
Mas o cara era teimoso
Daqueles que não desgarra
E falou para o Batista
Você vai beber na marra
O Batista retrucou:
Agora começa a farra
E falou para o vendeiro
Dê um litro de truaca
Misture com querosene
Ela está um pouco fraca
Esse porgante é “dos bom”
E não vai causar ressaca
O vendeiro fez a mistura
E o cara desconfiado
O Batista encheu um copo
E disse: beba safado
O cara respondeu, nem morto
Eu bebo esse ensopado
Vai beber e bem mansinho
Ou você gosta ou não gosta
E deu-lhe um soco no queixo
Que a cara virou pras costas
E alguém logo gritou
Já sinto cheiro de bosta
Bebeu o litro inteirinho
Sem fazer qualquer besteira
Pegou sua trouxa e saiu
Sumindo nas ribanceiras
Foi visto em Itamirim
Curando a caganeira
13 de março de 2010
Crônica: As aventuras do Batista (Literatura de cordel)
Do Livro As aventuras do Batista
de Gildázio Vieira Santos
Eu vou contar a vocês
O que se passou no Sertão
Pois o nosso amigo Batista
Nasceu naquele rincão
Antonio Batista de Souza
Um bom amigo, um irmão
A aventura do Batista
com a onça pintada
O Batista gostava muito
De fazer grandes caminhadas
Um dia vindo da cidade
Era alta madrugada
Chegando na Volta Grande
Deu de cara com uma pintada
Quando ele avistou a onça
Com a boca arreganhada
Há poucos metros à sua frente
Pronta prá dar a esticada
Gritou alto: Estou frito!
Chegou a hora marcada
Como andava desarmado
Clamou ao Bom Jesus Da Lapa
E pensou bem rapidinho
O jeito é sair no tapa
Se eu correr ela me pega
Nem meu espírito escapa
A onça avançou nele
E ele o corpo “negou”
Na direção que ela foi
Uma grande árvore encontrou
O choque foi tão grande
Que o ipê derrubou
E logo deu meia volta
E outra vez tentou
Pulou em cima do Batista
Ele com ela abraçou
Ora em cima, ora embaixo
E muito tempo lutou
A onça já bem cansada
Um pouco se relaxou
Batista deu-lhe uma porrada
Ela desmaiada ficou
E para ganhar mais tempo
Outra porrada aplicou
Entrou no mato e tirou
Uns cipós de caroá
Amarrou-a bem amarrada
Não podia vacilar
Jogou a “bicha” nas costas
Que chegou a envergar
Chegando no Mato Grosso
Esperou o sol nascer
Sentado em cima da onça
Que nem podia mexer
Não demorou muito tempo
Veio muita gente prá ver
Fizeram uma grande jaula
Para a onça acomodar
E gente de todo lado
Vinha a gatona olhar
E teve até um esperto
Que quis ingresso cobrar
Tiraram fotografias
Da linda onça pintada
Pois muitos queriam ter
Uma lembrança guardada
Até hoje na minha sala
Tenho uma ampliada
Ficou ali alguns dias
Para todo mundo olhar
Mas veio um cara de fora
Querendo a onça comprar
Ela foi parar num circo
Mas recusou-se a trabalhar
Essas e outras proezas
O Batista viu passar
Foram tantas que a memória
As vezes me quer falhar
De muitas ainda me lembro
E a vocês vou contar
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